quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Disciplina

"Deus dá o talento, mas é o trabalho que transforma o talento em gênio."
Anna Pavlova

"Talento é 1% inspiração e 99% transpiração”.
Einstein

Hoje eu estava pensando, como é bom estar de férias e poder praticar dança por várias horas diariamente.
Dança não é minha profissão, sou estudante de dança do ventre, mas sou professora de inglês e tradutora profissionalmente. Mas a questão é, será que eu daria conta? Será que eu seria capaz de ser uma bailarina profissional?
Eu amo dança do ventre, não canso de repetir isso. Estou sempre pesquisando, ouvindo músicas, estudando ritmos e dançando, mas nem de longe tenho a disciplina de uma profissional. Já fiquei sem praticar por uma semana, já faltei na aula porque não tinha estudado, e já optei por ficar jogada no sofá em vez de colocar as sapatilhas e ir dançar, confesso!!!, e não foi só uma vez não. Essa não é bem a postura de uma profissional (tenho a desculpa esfarrapada na ponta da lingua: sou amadora, sou amadora!!).
Nestes últimos 3 dias ensaiei mais ou menos umas 3 horas cada dia. Pra começar, estou beeeem dolorida, embora eu faça alongamento antes e depois do ensaio e não seja sedentária. Mas acho que isso deve ser normal. Bailarinas profissionais, não só de dança do ventre mas de outras danças ensaiam várias horas TODOS OS DIAS, chegando até a 6, 7 horas de ensaio. É um trabalho árduo, difícil e com muitos calos, dores e suor no caminho. O resultado é maravilhoso, nada como ver uma profissional no palco, mostrando em 5, 10 minutos o trabalho de uma vida inteira. Mas chegar a esses minutos EXIGE o trabalho anterior, as repetições, as frustrações e toda a parte chata que as "bailarinas de fim de semana" podem se dar ao luxo de pular (podem mesmo???). Eu digo por experiência própria, não estou julgando, estou falando por mim. Eu me apresento sim, mas como sou aluna, o erro é perdoável, "tadinha, tá aprendendo", agora vê se o público perdoa erro de profissionais. De jeito nenhum, caem matando!
Eu não tenho intenção de me profissionalizar, pelo menos não por enquanto, não por causa do trabalho que é necessário, mas porque estou feliz com minha profissão. Não sei se será assim pra sempre, mas no momento sim. Mas enquanto estou de férias vou tentar ter a disciplina de uma profissional, só pra ter o gostinho, rsrs...e quem sabe depois não consigo incorporar mais disciplina na minha rotina. Tudo bem, não sou profissional, mas gostaria de ter a disciplina de uma, e não só gostaria, vou tentar! Ah, e quanto às dores, vou abstrair...é como dizem: no pain, no gain!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Coreografar

Oi gente, um feliz ano novo para todo mundo, com muita alegria, saúde e dança, óbvio!

Bom, hoje gostaria de falar um pouco sobre coreografia, coreografar na verdade.
No sábado eu comecei minha "lição de férias", que consiste em preparar uma coreografia simples que poderia ser apresentada para um público leigo em dança do ventre.
Escolhi uma música pop árabe de 4 minutos. Planejei entrar com o véu, incluir movimentos simples e algo diferente, com a minha marca na coreografia. Estou simplificando bem, claro que tudo foi sendo pensado aos poucos, mas não vou me estender aqui.
Eu já montei algumas coreografias antes, mas dessa vez, fiquei 3 horas ensaiando, fazendo mil anotações, ouvindo a música uma vez atrás da outra, e depois dessas horas, sai praticamente sem nada pronto! E isso me levou a pensar...por que o processo está ficando tão complexo? Não deveria ser o contrário? Quanto mais experiência e maior o repertório de passos, coreografar não deveria ser mais rápido?
Depois do ensaio, fui para a internet e fiz algumas pesquisas sobre coreografias. Nem preciso dizer que sobre o assunto ligado à dança do ventre achei pouquíssimas coisas. Acabei encontrando mais em dança de salão, especialmente. Encontrei alguns roteiros, dicas para montar uma coreografia, etc.
No domingo, sentei a bunda na cadeira e continuei um trabalho mais teórico. Comecei a ouvir a música e pensar nos passos dentro do tempo dela, não em contagem de 4, ou de 8, mas marcando o que eu poderia fazer quando a música está em 30 segundos, por exemplo, depois quando ela muda nos 40, e assim em diante.
Claro que mesmo a música sendo simples (tem um ritmo constante, sem ser nenhum dos ritmos árabes, só com um said em 2 ou 3 momentos) e tendo muitas partes que se repetem, pensei em contar uma historinha, e assim fui montando minha coreografia. Consegui coreografar 3 minutos dos 4.
Hoje vou colocar na prática tudo que eu escrevi ontem. Vou ver se o corpo aceita bem a historinha que eu criei para essa música, senão, sentar novamente e escrever outra história.
Não sei se existe um roteiro para coreografia na dança do ventre. Acho que é muito pessoal, algumas bailarinas devem ir mais pela música, outras mais pelos tempos, e por aí vai. Claro que também conta muito a experiência de cada uma. Mas eu tive a impressão com essa coreografia de que quanto mais se sabe, mais difícil fica, mesmo com uma música aparentemente simples. Mas, pelo menos pra mim, o desafio maior é cada vez mais prazeroso. Coreografar, por mais trabalhoso que seja, é maravilhoso!