quarta-feira, 22 de julho de 2009
Já volto!
Só pra apresentar algo que eu gostaria de explorar melhor mais pra frente, coloco um vídeo de uma bailarina chamada Leila, e embora não tenha certeza, acho que ela é suiça. Estou começando a procurar bailarinas fora do circuito Egito-Brasil-EUA-Argentina, por pura curiosidade mesmo, e pra ver o que outros países estão apresentando na DV. Nesse vídeo ela apresenta uma música que é velha conhecida, e ainda vou assistir com mais calma pra opinar melhor. Mas uma coisa posso adiantar: não gostei do figurino, achei um pouco exagerado.
Depois comento melhor! bjs a todos!!!
sexta-feira, 3 de julho de 2009
A busca de todo o artista – equilibrar a técnica e a emoção
Artista do Cirque du SoleilGrandes artistas – especialmente bailarinos – são aqueles cuja técnica é considerada perfeita. São aqueles que as pessoas observam e não entendem como algum movimento é feito, como alcançaram tal flexibilidade, força e, que, além de tudo isso, desperta algo em quem o assiste, sorrisos, lágrimas, até revolta, mas que faça algo ser "acordado". É a perfeita junção da técnica e da emoção.
Um bailarino pode ser fantástico na parte técnica, mas nunca será completo enquanto não conseguir sentir e demonstrar isso no palco, afinal o papel da arte é despertar algo em quem a observa – na minha opinião – e isso só pode partir do artista que sente algo no que está fazendo. Não há como dançar sem sentir algo pela dança.
Na dança passamos por muitas sensações, antes, durante e depois do momento da apresentação. Primeiro é a expectativa, a alegria de ver um trabalho ser preparado, as angústias que surgem no processo, o nervosismo pré-palco, as frustrações eventuais e a satisfação final. As coisas não acontecem necessariamente nesta ordem, nem nesta forma organizada como as palavras descrevem, porque sentimentos podem e muitas vezes são caóticos, e não há razão que os organize.
O que eu entendo como domínio de palco – em relação ao lado emocional – é aquela pessoa que sente uma certa ansiedade antes e até no início de uma apresentação, mas que aos poucos vai disso para uma verdadeira alegria de estar dançando e apresentando um bom trabalho, sem preocupações com técnica nem erros, mas só ouvindo a música, o público e deixando o pensamento de lado. É a hora de apresentar o fruto de todo o estudo e das horas de trabalho suado, sem pensar nelas.
O grande Paulo AutranO domínio das próprias emoções pode ser tão ou até mais difícil do que a parte técnica. Isso porque todo o estudo pode ser sabotado se a ansiedade não estiver controlada (isso já aconteceu e continua a acontecer comigo em apresentações).
Estou aprendendo a lidar com tudo isso na dança, mas isso é só a pontinha do iceberg. Por enquanto acho que não estou nem perto de conseguir dominar a ansiedade e o nervosismo. Ainda consigo me divertir, mas ainda falta muito para relaxar. E nem todo o meu estudo tem me ajudado neste aspecto, afinal estudo é racional, e o que estou buscando é emocional. Mas, e aí? Além da experiência pessoal e a dos outros, como posso trabalhar isso? Eu sei que o momento no palco é único e impossível de se representar fora dele, sem um público, mas não acho que devo simplesmente esperar cada nova apresentação e 'torcer' para que as coisas se ajustem aos poucos. Já tentei, e aparentemente não é bem por aí que as coisas vão melhorar. Então, busco armas onde posso: no estudo, na pesquisa e em todo o trabalho pré-palco novamente. Espero não estar andando em círculos, mas isso só o tempo dirá.
Entre algumas coisas que tenho tentado, encontrei palavras úteis e interessantes em um livro que li há muitos anos, dos tempos em que estudava música erudita. É um livro pequeno, comprado direto da autora, mas que é excelente. O nome é "Tocando com Concentração e Emoção", e a autora chama-se Marcia Kazue Kodama. Ele inclusive foi
republicado no ano passado pela editora Som, segundo a própria autora, e agora pode ser comprado pelo site.
O livro é pequenino, mas riquíssimo em informações, e é impressionante como algumas partes aplicam-se perfeitamente para bailarinos também, tirando alguma terminologia específica da área de música. Lembrei desse livro sem querer, e seguindo a intuição fui remexer no armário, encontrei e reli. Com a devida autorização da autora, coloco alguns dos trechos que achei que melhor se aplicam a bailarinos também. E os que mais convém aos meus objetivos de agora...
"Todos os processos de aperfeiçoamento, tanto técnico como interpretativo, precisam de tempo, trabalho e dedicação para o seu desenvolvimento e amadurecimento. Se eles não forem dominados, as dificuldades causadas pela falta de domínio aparecerão em todas as peças tocadas".
Se a técnica requer tempo e estudo, talvez o domínio dos sentimentos que envolvem uma apresentação também precise do mesmo, e de muita paciência, porque cada um tem seu tempo de aprendizado, e ele pode ser mais longo do que gostaríamos.

E é tão bom quando há essa troca...é tão bom sentir-se tocado por um artista, e o contrário também deve ser fantástico.
"Acredito que uma das riquezas da música é ser uma arte de momento. A única maneira de repetir a mesma interpretação é através de uma gravação, pois nenhuma música poderá ser produzida exatamente da mema forma; cada interpretação é única".
É aquela velha história, uma bailarina pode dançar a mesma música 10 vezes, e elas serão todas diferentes, mas acredito que isso ocorra de verdade quando há sentimento, quando mesmo com uma coreografia ensaiada e apresentada muitas vezes, o artista deixe-se expressar.
Randa Kamel
"Por isso, não importa o quanto os outros tocam, nem que Mozart aos 8 anos compunha sinfonias. O importante é ver humildemente quais as suas condições reais, as suas dificuldades e capacidades, mesmo que estas sejam aquém do ideal. Não adianta tentar fazer coisas que não estão ao seu alcance, isto resultará em frustrações, aborrecimentos e perda de tempo.
Procure respeitar o seu limite e fazer o seu melhor dentro dele; se conseguir fazer o seu melhor, com certeza se surpreenderá com o resultado final".
Esse trecho é um tapa na cara pra mim; é muito importante para aqueles momentos de "eu não consigo", "tá muito difícil" ou os piores como "mas a fulana faz isso tão facilmente". Tsc, tsc, tsc, cada um a seu tempo, com as suas próprias características. Preciso me lembrar disso sempre!
Enfim, eu poderia citar muitos outro trechos porque o livro é realmente bom. Ela também fala sobre a neurofisiologia da execução musical, explica um pouco a diferença dos hemisférios direito e esquerdo do cérebro e quais mecanismos utilizamos para a concentração, memorização e no aprendizado musical como um todo. No livro também há algumas citações do livro "Inteligência Emocional" – que é o livro que estou lendo no momento – que é outro riquíssimo em informações sobre emoções, e que talvez vire um post futuramente.
Uma das coisas que a Marcia fala que eu gosto bastante é sobre os tipos diferentes de memórias, outro estudo fundamental para qualquer estudante e professor, seja de artes ou qualquer outro assunto; enfim, tem muita coisa, valeu a pena reler o livro. Preferi citar os trechos mais marcantes, pelo menos neste segundo momento em que li. São eles que têm me ajudado a refletir e a buscar o domínio que preciso para subir no palco e dançar mais relaxada, porque alegria existe, com certeza, o problema é aprender a dosar as coisas.
Só pra finalizar, uma apresentação antológica de uma cantora técnica e extremamente expressiva, uma tal de Elis Regina, já ouviram falar? :P
