sexta-feira, 12 de junho de 2009

Leitura Musical

Ler a música; ler com o corpo e fazê-lo responder aos diferentes instrumentos, com as variações de intensidade e altura dos sons. Explicar a música para quem assiste, mostrar seus detalhes, seus ritmos; mostrar aquela parte quase inaudível, mas que está lá, que faz parte da música e deve ser considerada. Isso, pra mim, é leitura musical.


Quando um músico trabalha com uma partitura, ele tem muitas coisas indicadas nela, como a dinâmica do som, as variações da mesma, o andamento e ritmo denominados logo no início da partitura, e claro, as notas. A bailarina não tem essas indicações, a não ser aquelas ditadas pela própria música, e elas não são menos importantes. Por isso que leitura musical requer um ouvido bem apurado e experiência, como tudo o mais.


Mas assim como dificilmente dois músicos tocam a mesma música – seguindo a mesma partitura – igualmente, duas bailarinas não dançam a mesma música igualmente. Leitura musical também é bastante particular. Existem algumas indicações gerais, espécies de regras que aprendemos sobre como ler certo instrumento, ou sobre quais movimentos fazer em determinado ritmo, mas no geral, a dança acaba sempre sendo muito diferente.


Uma das minhas grandes dúvidas sobre leitura musical (e olha que tenho muitas) é qual instrumento seguir, numa clássica por exemplo. Por um lado acho interessante seguir mais de um instrumento como forma de trabalhar a técnica, mas por outro, é um risco seguir mais de um instrumento ao mesmo tempo porque a dança pode ficar poluída. E em vez de mostrar as nuances e transmitir a música, alguém assistindo pode ficar confuso, porque tem muita coisa acontecendo de uma vez. Então, qual instrumento seguir? Qual deles devo priorizar e por quê?


Numa das minhas aulas aprendi que o que posso fazer é ler aquele instrumento novo, que acabou de entrar na música e não estava em destaque antes. Funcionou. Mas às vezes o corpo pede pra mostrar outro instrumento; outras vezes o ouvido simplesmente não consegue separar tão bem assim, e a leitura acaba ficando misturada. Por isso acho que ouvir a música muitas vezes é fundamental, assim como o músico treina repetidas vezes a mesma partitura.


Ontem assisti a um dvd das Bellydance Supertars, prestando atenção na leitura musical. E encontrei exemplos de uma dança mais carregada, com excesso de informações, e outras mais fáceis de entender o que estava acontecendo, o que a bailarina estava priorizando.

O primeiro vídeo é da bailarina Suhaila Salimpour. Embora ela seja bastante famosa, eu não conheço muito o trabalho dela. Esse vídeo me chamou a atenção porque tem momentos em que ela coloca tantos elementos que não dá pra saber o que observar; é tudo acontecendo ao mesmo tempo, braços, quadril, abdomen...ufa, até angustia um pouco. A técnica e o domínio do corpo dela são indiscutíveis, e existem outros vídeos em que ela apresenta uma dança mais simples, mas este ficou pesado pra mim. Além disso, as mudanças acontecem muito rápido, os braços e as mãos em alguns momentos fazem movimentos muito velozes, e fica um pouco cansativo de assistir.


http://www.youtube.com/watch?v=GfvdXKrEZGQ&feature=related

(a qualidade do vídeo está horrível, mas foi o único desse dvd que eu encontrei, e a incorporação foi desativada, por isso só coloquei o endereço. Foi mal...)


O outro vídeo que selecionei é da Tamalyn Dalal. Sua leitura é impecável, tudo fica muito claro, os movimentos vão crescendo junto com a música, mas nunca chegando ao exagero. Seu quadril é soltinho, mas faz movimentos leves, pequenos, parece que não existe esforço. E o final é tão elegante quanto o restante da música, sem aquela super pose mega star sabe? Mas simples, a música parou, ela pára, bem natural. Gostei bastante.



Esses dois vídeos trazem bailarinas bem famosas, com personalidades próprias e leituras muito diferentes, na minha opinião; além do que, as músicas dos vídeos são muito dançadas por aqui, e é interessante assistir outros vídeos com as mesmas músicas e perceber essas diferenças de leitura. E leitura musical tem muito a ver com experiência e personalidade, por isso, mesmo com regras e dicas, é sempre uma característica muito pessoal de cada bailarina.


Dois textos bem interessantes sobre leitura musical:


Post do blog da querida Luciana Arruda, com dicas bem interessantes, e muita coisa que ela compartilha da própria experiência pessoal. Quem ainda não leu, tá aqui:

http://luciana-arruda.blogspot.com/2009/03/leitura-musical.html


Post no blog da Luana Mello, que é um texto de ninguém menos que Hossam Ramzy. Embora esteja no título, ele não fala só sobre percussão; o texto é bem completo, às vezes difícil de entender, por isso é material pra copiar, guardar, e ler várias vezes.

http://luanamello.blogspot.com/2009/05/percussao-para-bailarinas-por-hossam.html


3 comentários:

Ket K.R disse...

leitura musical é o bicho né?
lembro que quando comecei a coreogragar o baladi passei um bocado decidindo se seguia a melodia, ou as marcações. O que e quando mudar, realmente mudar? ficar na mesma a música toda?...
No fim das contas achei um ponto. Segui melodia e qnd ela deu brecha pegueimarcação. Mas como vc disse, ouvir, ouvir, ouvir...nunca ouvi tanto uma musica na vida!!

bjoones gatusca!

eventre disse...

meww adorei o post do eventre!!
rs... e da parte que me toca rs....

Sou engraçada pq como diz um dj GLS: só tenho tempo para ser feliz!!! e estar com gente bacanas como vc é o bacana!!

Te anunciei como - gente, eu leio o blog dela rs!!!!

Brincadeiras á parte o E-ventre a cada dia conquista este espaço com competencia e respeito. Baseado nas coisas que acreditamos, desejamos sempre fazer um evento melhor que o outro, sem perder essa essencia: a alegria e o prazer de viver e fazer o bem!!

bem vinda a familia e-ventre

com carinho Deby - a bailarina engraçada!! rs...

Luciana Arruda disse...

obrigada pela citação, flor! continuo aprendendo...e aprendi bastante com seu post!
beijão
=]